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Testes genéticos auxiliam no diagnóstico precoce de câncer

Centro Regional de Oncologia aposta em estudos do mapeamento genético para avançar nos tratamentos oncológicos

 

Os índices elevados de cura do câncer e a eficácia de tratamentos inovadores estão diretamente relacionados com o diagnóstico precoce. O mapeamento genético tornou-se um aliado na oncologia, pois ele revela com antecedência a probabilidade de uma pessoa desenvolver doenças hereditárias e permite que ela faça terapias mais eficazes.

A hereditariedade é um fator importante a se avaliar. Diferente do que muitas pessoas imaginam, alguns tipos de câncer podem ser evitados ao analisar os testes genéticos. Um exemplo que ficou conhecido foi o caso da atriz americana Angelina Jolie que removeu as mamas para prevenir o câncer de mama, tendência identificada em teste genético.

No Vale do Taquari, os estudos do mapeamento genético é uma aposta que o Centro Regional de Oncologia (CRON) realiza para trazer à comunidade regional alternativas de tratamento a doença.

Entenda mais como funcionam esses exames na entrevista com a médica oncologista do CRON, Camila Jeremias.

 

A HORA – O que são os testes genéticos?
CAMILA – Os testes genéticos são exames que possibilitam identificar, através de uma análise minuciosa do nosso DNA, se a pessoa possui maiores riscos e propensões a desenvolver certas doenças. Na oncologia, estes testes detectam mutações que servem para compreender o diagnóstico de cânceres hereditários e o risco do surgimento de tumores. Ou seja, as pessoas podem descobrir se possuem alguma predisposição antes mesmo de desenvolver a doença. Caso essas mutações sejam herdadas, podemos rastrear os demais membros da família e adotar medidas de prevenção e, até mesmo, redutoras de risco.

Como são coletados os testes?
Os testes genéticos podem ser feitos por meio da coleta de uma amostra de sangue ou de outro material genético, como a mucosa oral ou a saliva.

Todos os cânceres acontecem por alterações genéticas hereditárias?
Os tumores se originam devido a alguma alteração nos genes. Mas isso não significa que essas variações sejam hereditárias, pelo contrário, os cânceres com componentes hereditários representam a minoria dos casos. Quando há alterações hereditárias, isso significam que os filhos e filhas de uma pessoa que possui esse distúrbio genético e que herdam a mutação nos genes, também herdam um risco maior de desenvolver tumores.

Todas as pessoas devem fazer os testes genéticos?
Não são todas as pessoas que devem fazer os testes genéticos e a indicação para fazê-los deve ser avaliada por um especialista. De maneira geral, os testes são indicados para àquelas pessoas que já apresentaram determinados tipos específicos de câncer ou àquelas que possuem um histórico da doença na família. Além disso, outras características devem ser avaliadas, como o tipo de tumor, a idade e o grau de parentesco.

É importante destacar que ter mutação genética não significa que a pessoa irá ter câncer, e sim, que pode existir aumento na chance de desenvolver a doença ao longo da vida. Em geral, pessoas que possuem mutações genéticas podem desenvolver a doença em uma idade mais precoce.

Saber se meu câncer tem componente hereditário pode modificar o meu tratamento? Por quê?
Para muitos tipos de cânceres, pacientes com diagnóstico e que estejam em tratamento, identificar alterações genéticas associadas ao tumor é extremamente importante e pode fazer a diferença na prescrição dos tratamentos. Isso auxilia nas decisões terapêuticas e permite a abordagem personalizada a cada pessoa.

Quais são os cânceres que estão mais frequentemente relacionados a causas hereditárias?
Cânceres de mama, ovário, próstata, colorretal e pâncreas, são exemplos de tumores frequentemente relacionados a mutações familiares. Existem algumas características que podem indicar que a pessoa tem uma síndrome de câncer hereditário, tais como: o diagnóstico da doença em pessoas jovens, vários tumores em uma mesma pessoa ou em várias gerações da família.

Para confirmar se há um câncer hereditário, é necessário a realização de testes genéticos. O resultado ajuda a escolher as medidas de prevenção para evitar o surgimento do câncer, sejam elas cirurgias redutoras de risco ou o acompanhamento mais restrito e precoce. No entanto, todos os casos devem passar por uma avaliação multiprofissional e é essencial decidir a realização de um teste e interpretá-lo junto ao seu médico.

 

Texto: Jéssica R. Mallmann
Créditos: Estúdio A Hora

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